Polícia Civil do Rio faz operação contra policiais suspeitos de favorecer facção
A apuração, com apoio da Corregedoria da PM e do Ministério Público fluminense, aponta repasse de informações privilegiadas e negociação clandestina de armas e munições. Três pessoas foram presas.
Foto: Fernando Frazão/Agência BrasilResumo
A Polícia Civil do Rio de Janeiro cumpriu em 13 de outubro mandados contra policiais suspeitos de favorecer o Comando Vermelho. Até as 8h10 daquele dia, três pessoas haviam sido presas, uma em flagrante e duas por mandado. A apuração conta com apoio da Corregedoria da Polícia Militar e do Ministério Público do Rio de Janeiro.
Contexto
Segundo a reportagem, a investigação começou em outubro de 2023, com a prisão de um policial militar e outro homem que transportavam cem quilos de cocaína. Também é apurada a morte de um policial militar assassinado a tiros em julho deste ano.
Argumentos
- A participação do Ministério Público e da Corregedoria da PM reduz, mas não elimina, a objeção de autoinvestigação.
- A continuidade entre a apreensão de 2023 e a operação atual exige demonstração do nexo entre os fatos.
- A audiência de custódia é o primeiro controle judicial sobre a legalidade das prisões.
Fundamento
As condutas narradas tangenciam os tipos de organização criminosa, na Lei 12.850/2013, comércio ilegal de arma de fogo, no artigo 17 do Estatuto do Desarmamento, e violação de sigilo funcional, no artigo 325 do Código Penal. A capitulação definitiva depende da denúncia.
Consequência prática
Os presos em flagrante passam por audiência de custódia em até 24 horas, na forma do artigo 310 do CPP, quando o juiz decide sobre relaxamento, conversão em preventiva ou cautelares diversas.
Por que importa
Investigação de policial pela própria polícia carrega um problema de prova que reaparece em todo processo decorrente: quem colhe, quem guarda e quem audita o vestígio. É onde a defesa encontra terreno, e onde a acusação precisa ser mais rigorosa, justamente o ponto que a manchete de hoje leva ao STJ.
Próximos passos
- Audiência de custódia dos presos em flagrante.
- Conclusão do inquérito e eventual oferecimento de denúncia pelo Ministério Público.
- Procedimentos disciplinares nas corregedorias, independentes da esfera penal.