MP do Rio investiga Douglas Ruas por peculato, lavagem, crimes licitatórios e organização criminosa
A apuração, em segredo de justiça, trata do crescimento patrimonial de empresas ligadas ao presidente da Assembleia Legislativa fluminense, que disputa o governo do estado. A promotoria se apoia em auditoria sobre contratos de R$ 702 milhões firmados no período em que ele era secretário das Cidades. Ruas afirma que não foi notificado e que confia no trabalho do órgão.
Alex Ramos/Alerj, via ConJurResumo
O Ministério Público do Rio de Janeiro abriu investigação sobre o crescimento financeiro de empresas ligadas a Douglas Ruas, presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro e candidato ao governo do estado. Os promotores apuram peculato, lavagem de dinheiro, delitos licitatórios e organização criminosa. O procedimento está em segredo de justiça.
Contexto
Sob análise estão a empreiteira Saur Construção, Terraplanagem e Locação e a administradora DM Invest Consultoria e Participações. Segundo a promotoria, o crescimento dessas empresas coincidiu com a ascensão política do investigado e de seu pai, prefeito de São Gonçalo. O órgão se apoia em depoimentos de testemunhas e em auditoria do governo interino do desembargador Ricardo Couto sobre contratos firmados quando Ruas era secretário das Cidades.
Argumentos
- Da promotoria: crescimento patrimonial desproporcional das empresas, coincidente com a ascensão política, apoiado em testemunhos e em auditoria de contratos.
- Do investigado: afirma disposição para prestar esclarecimentos, diz que não foi notificado e sustenta que os fatos foram levados ao órgão após o anúncio de sua pré-candidatura.
Fundamento
A auditoria identificou contratos de R$ 702 milhões com consórcios liderados por uma empresa de engenharia que, em um deles, subcontratou companhia pertencente à família de um deputado federal, presidente estadual do mesmo partido. O Ministério Público aponta ainda a compra de imóvel em São Gonçalo por duas empresas, uma delas registrada em nome do investigado e de seu pai, com movimentação superior a R$ 12 milhões em imóveis entre 2023 e 2025.
Consequência prática
Por ora existe apenas investigação: nenhuma imputação formal foi feita e nenhum ato judicial sobre o mérito foi praticado. O segredo de justiça impede acesso público às peças.
Por que importa
O caso reúne a tríade que organiza boa parte da prática em crimes econômicos: desvio de recursos públicos, ocultação patrimonial e imputação de estrutura organizada. E chega num momento em que o investigado disputa, sub judice, o segundo turno do governo do Rio, o que torna especialmente exigente a separação entre apuração criminal e disputa eleitoral.
Próximos passos
- Conclusão da investigação e eventual oferecimento de denúncia, ou arquivamento.
- Caso haja imputação, definição do foro competente diante do cargo exercido.