Ministro do TSE barra anúncios pagos da campanha de Lula sobre a escala 6x1 e manda a Meta informar os valores desembolsados
André Mendonça entendeu que as peças, veiculadas entre 12 e 14 de setembro, se dirigiam predominantemente à desqualificação do adversário, e vedou novas contratações de veiculação.
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil (sede do TSE, imagem de arquivo)Resumo
A decisão atendeu pedido da campanha de Flávio Bolsonaro e vedou novas contratações de veiculação dos anúncios, já exibidos entre 12 e 14 de setembro. A Meta foi notificada para desativar definitivamente as peças e informar os valores efetivamente pagos, com a decisão citando ao menos dois pagamentos, de R$ 10,4 mil e de R$ 15,4 mil.
Contexto
A legislação eleitoral admite anúncio pago em plataformas, dentro de limites e com identificação. A controvérsia aqui não é a modalidade, e sim o conteúdo: a atribuição ao adversário de posição contrária ao fim da escala de trabalho 6x1.
Argumentos
- Campanha autora: a peça atribui ao adversário posição que ele não defende, com finalidade de desqualificação.
- Decisão: anúncio pago é lícito, mas não pode servir de veículo de propaganda negativa.
- Dever da plataforma: desativar as peças e informar os valores efetivamente pagos.
Fundamento
Para o ministro, os anúncios foram empregados como propaganda negativa, vedada pela legislação eleitoral, e a mensagem é predominantemente direcionada à desqualificação do representante. A reportagem não identifica os dispositivos legais invocados.
Consequência prática
A campanha não pode contratar novas veiculações das peças, e a plataforma passa a ter dever de informação sobre o gasto, o que alimenta a fiscalização de limites de despesa e de prestação de contas.
Por que importa
O pedido de informação sobre valores pagos é o ponto de maior alcance: ele transforma a plataforma em fonte de prova sobre gasto eleitoral, com reflexo em prestação de contas e, no limite, na apuração de abuso de poder econômico.
Próximos passos
- Cabe agravo interno ao Plenário do TSE.
- A resposta da Meta sobre os valores pode subsidiar a análise de limites de gasto na prestação de contas.