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Direito digital

Levantamento registra 14.182 ataques a jornalistas no primeiro turno, e mulheres concentram 64,8% dos casos identificados

A Coalizão em Defesa do Jornalismo, com o Labic da UFES e o ITS Rio, monitorou 3,7 milhões de conteúdos no X e no Instagram em 50 dias, com 652 termos e hashtags ofensivos.

Agência Brasil · relatório Cobrir as eleições, enfrentar a violência · publicado em 09/10/2026 ·edição de 12/10
Levantamento registra 14.182 ataques a jornalistas no primeiro turno, e mulheres concentram 64,8% dos casos identificadosFoto: Lula Marques/Agência Brasil (imagem de arquivo)

Resumo

A Coalizão em Defesa do Jornalismo, em parceria com o Laboratório de Estudos sobre Imagem e Cibercultura da UFES e com o ITS Rio, analisou 3,7 milhões de conteúdos digitais ao longo de 50 dias, entre 16 de agosto e 4 de outubro de 2026, no X e no Instagram, com 652 termos e hashtags ofensivos. Foram contabilizados 14.182 ataques no primeiro turno, cerca de 283 por dia, em curva crescente: 2.630 na primeira quinzena, 4,4 mil na segunda, e média de 327 por dia na última semana.

Contexto

Entre os profissionais identificados individualmente, as mulheres concentraram 64,8% dos ataques, 2.013 de 3.106 registros. Organizações jornalísticas também foram alvo. O relatório se chama Cobrir as eleições, enfrentar a violência.

Argumentos

  • Coalizão em Defesa do Jornalismo: o volume e o crescimento dos ataques comprometem a segurança da imprensa e a circulação de informação de interesse público.
  • Abraji: é preciso enfrentar a enxurrada de ataques digitais.
  • Limite metodológico: a contagem por termos e hashtags não individualiza autoria nem afere dolo.

Fundamento

O levantamento classifica os ataques em descredibilização, com rótulos como imprensa golpista e jornalista militante e acusações de manipulação de pesquisas, intimidação e ameaças, inclusive incentivo à violência física, e ofensas de cunho sexual e misógino contra jornalistas mulheres.

Consequência prática

A tipologia é relevante porque separa o que é crítica, ainda que agressiva, do que pode configurar ameaça, injúria ou incitação ao crime. A conversão do dado agregado em responsabilização depende de individualização de autoria e de preservação do conteúdo, que o relatório não realiza.

Por que importa

Relatórios de monitoramento vêm sendo usados como prova de contexto em representações e em ações penais privadas, para demonstrar padrão e coordenação. Serve ao criminalista nos dois sentidos: como lastro de contexto na assistência à vítima e, na defesa, como alerta de que dado agregado por termo não prova dolo nem autoria de postagem específica.

Próximos passos

  • Acompanhar eventuais representações ou notícias-crime fundadas no relatório.
  • Conferir a íntegra do relatório para a metodologia completa antes de citação.

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