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Tribunal do Júri

Júri condena terceiro réu pelo assassinato de Mãe Bernadete, liderança quilombola na Bahia

Josevan Dionísio dos Santos recebeu 28 anos de reclusão. Dos cinco acusados, três já foram julgados e dois aguardam julgamento.

Agência Brasil · julgado em 13/10/2026, publicado em 14/10 ·edição de 15/10
Júri condena terceiro réu pelo assassinato de Mãe Bernadete, liderança quilombola na BahiaFoto: Paulo Pinto/Agência Brasil

Resumo

O Tribunal do Júri condenou Josevan Dionísio dos Santos a 28 anos de reclusão pelo assassinato de Maria Bernadete Pacífico Moreira, a Mãe Bernadete, ialorixá e liderança quilombola. É o terceiro réu julgado. Antes dele, Arielson da Conceição dos Santos foi condenado a 40 anos, 5 meses e 22 dias, e Marílio dos Santos a 29 anos e 9 meses. Dois acusados ainda aguardam julgamento.

Contexto

O crime ocorreu em 17 de agosto de 2023, no Quilombo Pitanga dos Palmares, em Simões Filho, na Bahia. Os autores entraram na casa onde a vítima estava com os netos e dispararam 25 vezes. Mãe Bernadete era secretária de Políticas de Promoção da Igualdade Racial de Simões Filho e denunciava ameaças de morte havia anos. Desde 2017 buscava a responsabilização pelo assassinato do filho, Flávio Gabriel Pacífico dos Santos, caso ainda não esclarecido.

Argumentos

  • Acusação: a motivação foi a resistência da vítima à expansão do tráfico de drogas na comunidade quilombola.
  • O julgamento do conselho de sentença é soberano quanto à matéria de fato, o que limita o alcance da apelação.
  • Marílio dos Santos, condenado anteriormente, morreu dois dias após o próprio julgamento.

Fundamento

Segundo a promotoria, a motivação foi a atuação da vítima contra a expansão do tráfico de drogas na comunidade. A decisão é do conselho de sentença, soberano quanto à matéria de fato, na forma do artigo 5º, inciso XXXVIII, da Constituição.

Consequência prática

Com três condenações e dois réus pendentes, a instrução sobre a autoria intelectual segue em aberto. A pena aplicada está sujeita a recurso.

Por que importa

Casos de assassinato de defensores de direitos humanos costumam parar na execução material. Aqui o júri avança sobre executores enquanto o mando continua sem resposta judicial, e essa assimetria é o ponto que a defesa e a acusação disputarão nos julgamentos restantes. Para a prática do júri, o caso também interessa pela sustentação da motivação em contexto de disputa territorial.

Próximos passos

  • Julgamento dos dois réus restantes.
  • Prazo de apelação da sentença condenatória, com os fundamentos do artigo 593, inciso III, do CPP.
  • Apuração da autoria intelectual segue pendente de desfecho judicial.

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