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Violência doméstica ★★★★★ Inquérito Policial 1508836-86.2026.8.26.0385

Juiz de São Vicente revoga preventiva por descumprimento de protetiva após reconciliação do casal, com concordância do Ministério Público

Para o magistrado, a retomada da vida em comum esvazia a situação de urgência que justificava a restrição de contato e o cárcere provisório

ConJur · autos da 2ª Vara Criminal de São Vicente · publicado em 18/08/2026 ·edição de 20/08
Juiz de São Vicente revoga preventiva por descumprimento de protetiva após reconciliação do casal, com concordância do Ministério PúblicoReprodução ConJur

Resumo

As medidas protetivas foram deferidas em dezembro de 2025. Em junho de 2026 o homem foi preso em flagrante por supostamente ter descumprido as restrições. Durante a vigência da medida, porém, o relacionamento foi retomado, o que levou o casal a pedir em conjunto a revogação da preventiva ou sua substituição por cautelares alternativas.

Contexto

A tese contrasta com a leitura de que o crime do artigo 24-A tutela a autoridade da ordem judicial, e não a vontade da vítima, o que tornaria irrelevante a reconciliação. Aqui o Ministério Público paulista acompanhou a defesa.

Argumentos

  • O MP-SP sustentou que a reconciliação afasta, em tese, a tipicidade do crime de descumprimento.
  • O magistrado condicionou a soltura a cautelares alternativas, mantendo o controle judicial sobre o acusado.

Fundamento

O juiz Renato de Almeida Mascarenhas acolheu a manifestação consensual das partes e determinou a expedição do alvará de soltura, por entender que a retomada da vida em comum afasta a situação de urgência e o risco à integridade física ou psíquica da vítima, que eram o fundamento da restrição de contato e da prisão provisória.

Consequência prática

O acusado ficou obrigado a comparecer a todos os atos processuais e proibido de se ausentar da comarca por mais de oito dias sem autorização judicial. O magistrado advertiu que o descumprimento injustificado das cautelares poderá importar no restabelecimento imediato da preventiva.

Por que importa

Prisões por descumprimento de protetiva depois de reconciliação são frequentes e costumam ser mantidas com o argumento de que a vontade da vítima não dispõe da ordem judicial. A decisão registra caminho oposto, e o faz com o Ministério Público concordando, o que reduz o risco de reforma imediata.

Próximos passos

  • Prosseguimento do inquérito policial, com eventual arquivamento ou denúncia.
  • Possível recurso em sentido estrito caso o Ministério Público mude de posição em segundo grau.