Fux requisita os autos sigilosos das fake news e da trama golpista para julgar pedido do PP contra a Tempus Veritatis
A petição, parada desde abril de 2024, sustenta que as buscas foram autorizadas a pedido da Polícia Federal sem manifestação da PGR.
Reprodução Agência BrasilResumo
Fux determinou que a Secretaria Judiciária remeta ao seu gabinete os autos sigilosos que tramitam contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, incluindo todos os volumes, apensos, processos conexos e mídias dos inquéritos das fake news e das milícias digitais e da apuração da trama golpista.
Contexto
O pedido foi feito nos autos de ação do Partido Progressistas que busca anular a Operação Tempus Veritatis, deflagrada pela Polícia Federal em 2024 por determinação do ministro Alexandre de Moraes. Foi essa operação que abriu caminho para as apurações que levaram à condenação de Bolsonaro e de aliados no caso da tentativa de golpe. A petição, assinada por advogados de Bolsonaro, chegou ao STF em abril de 2024 e estava parada.
Argumentos
- O PP sustenta ausência de manifestação da PGR antes da autorização das buscas.
- Em sentido contrário, a jurisprudência admite representação policial direta ao juízo em medidas cautelares probatórias.
- A legitimidade de partido político para arguir nulidade em inquérito alheio é questão preliminar que pode preceder o mérito.
Fundamento
O ponto jurídico que o partido levanta é de legitimidade do impulso: sustenta que Moraes autorizou as buscas a partir de representação da Polícia Federal, sem prévia manifestação da Procuradoria-Geral da República. A discussão toca o sistema acusatório introduzido pela Lei 13.964/2019 e o papel do Ministério Público como titular da ação penal e destinatário da investigação. Antes de decidir, Fux precisa do acervo integral, porque a aferição de nulidade depende de examinar o que havia nos autos no momento de cada autorização.
Consequência prática
A requisição não antecipa resultado. Ela destrava um pedido que dormia há dois anos e meio e desloca para o gabinete de Fux o exame de uma alegação de nulidade que, se acolhida, alcançaria prova derivada de toda a cadeia.
Por que importa
A tese discutida é das mais usadas na defesa criminal: medida invasiva deferida por provocação da autoridade policial, sem crivo do Ministério Público. O que o STF decidir aqui, num caso de visibilidade máxima, tende a virar parâmetro para buscas e apreensões em processos comuns, inclusive quanto à extensão da contaminação por derivação.
Próximos passos
- Remessa dos autos ao gabinete de Fux.
- Análise do pedido de anulação da Operação Tempus Veritatis.
- Eventual manifestação da PGR.