TSE aciona a Polícia Federal e notifica o Ministério Público após cerca de 30 mil publicações com ameaças a servidores da Justiça Eleitoral
As ameaças alcançaram familiares e vieram acompanhadas de exposição de dados pessoais. O presidente do tribunal determinou segurança e apoio psicológico aos servidores.
Foto: Marcelo Camargo/Agência BrasilResumo
O Tribunal Superior Eleitoral acionou a Polícia Federal depois de identificar ameaças dirigidas a servidores da Justiça Eleitoral nas redes sociais, que também alcançaram familiares. O tribunal notificou o Ministério Público, comunicou às plataformas a circulação das publicações irregulares e, por determinação do presidente, ministro Kassio Nunes Marques, providenciou segurança e apoio psicológico aos servidores e às suas famílias. Até a tarde de quinta-feira havia cerca de 30 mil publicações contra servidores.
Contexto
O episódio ocorre em período eleitoral e na mesma semana em que o ministro Flávio Dino divulgou relatório de segurança do Supremo com milhares de mensagens de ameaça e de agressão, e em que a Presidência do STF encaminhou avaliação técnica de segurança à Polícia Federal. O alvo, aqui, não é a autoridade julgadora, e sim o corpo de servidores que opera a eleição.
Argumentos
- Institucional: ameaça a servidor em razão da função exige resposta penal e medida de proteção imediata.
- Defensivo: em casos de postagem em massa, a imputação precisa individualizar conduta, e repercussão não equivale a ameaça típica.
- Processual: a competência depende de o ato atingir o exercício de função ligada à União.
Fundamento
A comunicação ao Ministério Público é o passo que permite a formação de opinião sobre a persecução penal, e o acionamento da Polícia Federal viabiliza a investigação. A exposição de dados pessoais somada a ameaça a servidor em razão da função abre discussão sobre a tipificação e sobre a competência, que pode ser federal quando o ato atinge o exercício de função ligada à União.
Consequência prática
Sem inquérito formalizado e sem capitulação divulgada, o que existe é comunicação institucional e medida de proteção. Os próximos passos dependem do Ministério Público e das respostas das plataformas, que foram comunicadas, não judicialmente intimadas, segundo a nota.
Por que importa
A defesa criminal passa a lidar com um volume grande de investigados em casos de ameaça em rede, com prova digital, autoria distribuída e questão de competência. Para o criminalista, os pontos sensíveis são a individualização de conduta em meio a milhares de publicações, a distinção entre crítica dura, desinformação e ameaça típica, e a cadeia de custódia da prova obtida junto às plataformas.
Próximos passos
- Verificar a instauração de inquérito pela Polícia Federal e a capitulação adotada.
- Acompanhar a manifestação do Ministério Público após a notificação.
- Conferir se houve ordem judicial às plataformas, além da comunicação administrativa.