Fórum Brasileiro de Segurança Pública aponta fragmentação de dados como entrave à prevenção de feminicídios
Levantamento mostra alta nos casos em 2025 e falta de integração entre delegacias, Ministério Público e rede de proteção à mulher
Marcelo Camargo/Agência BrasilResumo
Levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), apresentado nesta semana, mostra que os feminicídios cresceram 4,7% em 2025 e atribui parte da dificuldade de prevenção à fragmentação de dados entre os órgãos que deveriam atuar em rede.
Contexto
O estudo reúne autoridades como a promotora Silvia Chakian (MP-SP), o delegado Julio Guebert (Academia de Polícia Civil de SP) e a delegada Cristine Costa (1ª Delegacia de Defesa da Mulher), além da promotora Juliana Tocunduva, da Casa da Mulher Brasileira. O recorte foi apresentado no 20º Encontro do FBSP.
Argumentos
- Integração de dados entre instituições que hoje operam isoladas.
- Qualificação policial para o atendimento em casos de violência doméstica.
- Investimento orçamentário estável para as redes de proteção.
Fundamento
O relatório aponta que 72,9% dos municípios com menos de 100 mil habitantes carecem de serviços especializados de atendimento à mulher, e que 621 mil medidas protetivas foram concedidas em 2025, das quais 135 mil tiveram descumprimento registrado sem que os sistemas de segurança, saúde e assistência social conversem entre si.
Consequência prática
Sem integração de dados, o descumprimento de uma medida protetiva registrado numa ponta da rede muitas vezes não chega a quem faz o atendimento na outra, o que atrasa a resposta em situações de risco.
Por que importa
Para a advocacia criminal que atua em violência doméstica, o diagnóstico ajuda a entender por que o descumprimento de medidas protetivas nem sempre é detectado a tempo, e reforça a pressão por boletins eletrônicos e bases integradas entre delegacias, Ministério Público, Defensoria, saúde e educação.
Próximos passos
- FBSP deve levar o diagnóstico a discussões sobre boletim eletrônico único.
- Rede de atendimento (delegacias, MP, Defensoria, saúde e educação) é cobrada por integração de sistemas.