Réu apontado como chefe da Operação Dakovo é extraditado da Argentina e volta a responder por tráfico internacional de armas
MPF imputa organização criminosa, 25 episódios de tráfico de armas e 28 de lavagem de dinheiro em ação penal que tramita na Justiça Federal da Bahia
Foto: Polícia FederalResumo
Um dos réus apontados pelo MPF como líder da organização por trás da Operação Dakovo, que investiga tráfico internacional de armas entre Europa, Paraguai e Brasil desde 2020, foi extraditado da Argentina para o Brasil em 9 de setembro.
Contexto
A operação começou após a apreensão de fuzis de origem croata em Vitória da Conquista (BA), em 2020. Em dezembro de 2023, o MPF denunciou 28 pessoas, e a ação penal principal foi desmembrada em núcleos de atuação, dando origem a outras 11 ações penais.
Argumentos
- O MPF atribui ao réu posição de comando sobre outros integrantes e diz que ele era um dos principais beneficiários dos recursos financeiros das operações.
- A denúncia aponta o uso de empresas de fachada e simulações de vendas para introduzir as armas no Brasil.
Fundamento
Segundo a denúncia do Gaeco/MPF, o réu era sócio-gerente de uma empresa paraguaia usada para importar armas da Europa e da Turquia via Paraguai e introduzi-las ilegalmente no Brasil, com participação de militares paraguaios da Dimabel. Ele ficou foragido após a deflagração da operação, foi localizado pela Interpol em fevereiro de 2024 e preso em Córdoba, na Argentina, até a extradição.
Consequência prática
O réu ficará custodiado provisoriamente em unidade prisional federal no Mato Grosso do Sul até ser transferido ao Sistema Penitenciário Federal, e passa a responder, no Brasil, à ação penal que tramita na Justiça Federal da Bahia.
Por que importa
O caso combina cooperação internacional (Interpol, extradição) com o desmembramento de ações penais por núcleo em esquemas transnacionais: sete sentenças condenatórias de primeira instância já alcançaram 20 réus da operação, e uma das ações, a do núcleo de vendedores, já transitou em julgado.
Próximos passos
- A ação penal segue em tramitação na Justiça Federal da Bahia.
- O MPF acompanha 19 pedidos de cooperação jurídica internacional em curso no âmbito da operação, 11 ao Paraguai e 8 à Argentina.