Documentário sobre a Usina Cambahyba reacende no MPF o debate sobre justiça de transição
Exibição na Procuradoria da República no Rio de Janeiro trata da ocultação de corpos de desaparecidos políticos
Foto: Comunicação/MPF/RJResumo
A atividade integra o debate sobre a responsabilização penal por crimes cometidos durante a ditadura militar e sobre os limites impostos pela Lei da Anistia.
Contexto
A Usina Cambahyba, em Campos dos Goytacazes, é apontada em investigações e relatos como local utilizado para ocultar e incinerar corpos de desaparecidos políticos. O tema volta periodicamente ao MPF por meio de grupos de trabalho dedicados à justiça de transição.
Fundamento
A discussão jurídica central opõe a leitura da Lei 6.683/1979 consagrada pelo STF na ADPF 153 às decisões da Corte Interamericana de Direitos Humanos nos casos Gomes Lund e Herzog, que consideram a anistia incompatível com a Convenção Americana quanto a graves violações de direitos humanos.
Consequência prática
Enquanto a divergência persiste, as denúncias oferecidas pelo MPF nesses casos costumam ser rejeitadas na origem, e o debate permanece concentrado em recursos e no controle de convencionalidade.
Por que importa
É um dos poucos campos em que a discussão sobre prescrição e sobre a natureza permanente do desaparecimento forçado é enfrentada de forma direta, com reflexos sobre a teoria do crime aplicada fora do contexto histórico.
Próximos passos
- Acompanhar o andamento das ações penais propostas pelo MPF sobre crimes da ditadura e as decisões de admissibilidade nos tribunais regionais federais.