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Judiciário ★★★★★

Presidências dos 27 tribunais de Justiça aprovam a Carta de Manaus, com compromissos sobre infância e violência contra a mulher

No primeiro semestre de 2026 a Justiça decidiu 532.815 medidas protetivas de urgência, e 62,5% dos feminicídios ocorrem na residência da vítima

CNJ · encerrado em 14/08/2026 ·edição de 15/08
Presidências dos 27 tribunais de Justiça aprovam a Carta de Manaus, com compromissos sobre infância e violência contra a mulherReprodução CNJ

Resumo

Após três dias de programação, o XXI Encontro do Conselho de Presidentes dos Tribunais de Justiça Estaduais e Militares do Brasil foi encerrado em 14 de agosto, em Manaus, com a aprovação por unanimidade da Carta de Manaus, documento que consolida os compromissos das 27 presidências dos tribunais de Justiça.

Contexto

O encontro teve como anfitrião o TJ do Amazonas, sob a presidência do desembargador Jomar Ricardo Saunders Fernandes. A abertura, em 12 de agosto, no Teatro Amazonas, contou com conferência do corregedor nacional de Justiça, ministro Mauro Campbell Marques, e com o balanço da gestão do presidente do STJ, ministro Herman Benjamin.

Argumentos

  • O Consepre sustenta que a prioridade à infância e ao enfrentamento da violência doméstica exige planejamento, integração entre áreas e uso de dados.
  • A efetividade dependerá da elaboração dos planos estaduais e do incremento das estruturas judiciárias especializadas.

Fundamento

O conselheiro do CNJ Fabio Esteves tratou da Política Nacional Judiciária de Proteção à Infância e defendeu que a prioridade absoluta seja compreendida nas dimensões jurídica, administrativa, decisória e federativa. O tema foi incorporado à Carta, com incentivo para que os tribunais assegurem prioridade na implementação da Política Judiciária Nacional para a Primeira Infância e elaborem os respectivos planos estaduais.

Consequência prática

A conselheira Jaceguara Dantas, supervisora da Política Judiciária Nacional de Enfrentamento à Violência contra a Mulher e ouvidora nacional da Mulher, apresentou o panorama nacional: a violência atinge uma em cada quatro mulheres no Brasil, 62,5% dos feminicídios acontecem na residência da vítima e 96,4% dos crimes contra mulheres foram cometidos por homens. No primeiro semestre de 2026, a Justiça decidiu 532.815 medidas protetivas de urgência.

Por que importa

O volume de medidas protetivas decididas em seis meses dá a escala do trabalho em varas de violência doméstica e do que ele significa para quem atua na defesa e na assistência à vítima. Compromissos de estrutura firmados pelas presidências tendem a se converter em especialização de varas e em fluxos de atendimento, que afetam prazos e a produção de prova.

Próximos passos

  • Elaboração dos planos estaduais de primeira infância pelos tribunais.
  • Divulgação do texto integral da Carta de Manaus.