PF e CGU miram Gladson Cameli na 4ª fase da Operação Ptolomeu, com mandados autorizados pelo STJ
Operações Ptolomeu IV e Umbra apreenderam cerca de R$ 1 milhão em espécie, que a PF aponta como possível recurso para compra de votos, e três pessoas foram presas em flagrante por posse ilegal de arma
Divulgação Polícia Federal (foto cedida à imprensa)Resumo
A Polícia Federal e a Controladoria-Geral da União deflagraram nesta terça-feira a quarta fase da Operação Ptolomeu, somada à Operação Umbra, tendo o ex-governador do Acre e candidato ao Senado Gladson Cameli como um dos alvos. Foram cumpridos 28 mandados de busca e apreensão em Rio Branco e Cruzeiro do Sul (AC), Maringá (PR) e Navegantes (SC), todos autorizados pelo STJ.
Contexto
Cameli já responde perante o STJ desde 2021 por um esquema de corrupção e lavagem de dinheiro apontado como estruturado em núcleos familiar, político e empresarial, e foi condenado em maio de 2026 a 25 anos de prisão pela Corte Especial, a maior pena já aplicada pelo tribunal em ação penal originária. Esta nova fase mira, segundo a imprensa local, a compra de votos e um novo conjunto de irregularidades em contratos públicos.
Argumentos
- A PF e a CGU apontam indícios de compra de votos a partir do dinheiro em espécie apreendido, mas a acusação formal desse fato ainda não foi apresentada.
- A defesa de Cameli não foi localizada pela imprensa local até o fechamento desta rodada para se manifestar sobre a nova fase.
Fundamento
A ordem para os 28 mandados partiu do STJ, foro por prerrogativa de função aplicável a Cameli pela condição que motivou o processo anterior. Os crimes apontados nesta fase são organização criminosa, fraude em licitação, corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro e embaraço a investigação envolvendo organização criminosa.
Consequência prática
Cerca de R$ 1 milhão em espécie foi apreendido, além do celular e de três veículos de Cameli. A PF associa o dinheiro em espécie a possível uso para compra de votos, num período em que o TRE-AC já havia negado o registro de candidatura de Cameli ao Senado por inelegibilidade. Três investigados foram presos em flagrante por posse ilegal de arma, sem relação direta, até aqui, com o núcleo financeiro do esquema.
Por que importa
É a quarta fase de uma investigação que já rendeu a maior condenação criminal da história do STJ, e mostra a Corte autorizando nova diligência contra um réu já sentenciado, no meio de uma disputa eleitoral em que sua candidatura já foi barrada na primeira instância eleitoral. Para a advocacia criminal, o caso ilustra como o foro por prerrogativa de função pode seguir um investigado mesmo após condenação em ação penal originária, enquanto correm, em paralelo, o processo eleitoral e novas apurações.
Próximos passos
- Aguardar nota oficial da PF, da CGU ou do STJ com os termos exatos da autorização judicial e o número do processo.
- Acompanhar eventual manifestação da defesa de Gladson Cameli.
- Verificar se a condenação de maio de 2026 já transitou em julgado ou segue em fase recursal.