Pet 16.704
Mendonça acusa Moraes de "arapongagem institucional" e pede ao STF apuração por abuso de autoridade
Em manifestação de 76 páginas na Pet 16.704, ministro nega irregularidades no caso Banco Master e contesta uso de relatórios de inteligência da PF contra colegas da Corte
Migalhas · despacho na Pet 16.704 (STF)
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manifestação protocolada em 21/09, divulgada em 22/09/2026
Carlos Moura/SCO/STF, via Agência Brasil
Resumo
O ministro André Mendonça apresentou ao presidente do STF, Luiz Edson Fachin, manifestação negando as acusações de Alexandre de Moraes e pedindo apuração do colega por abuso de autoridade e denunciação caluniosa.
Contexto
A disputa começou em 1º de setembro, quando Moraes requisitou à Polícia Federal relatórios de inteligência com referências a ministros do STF, no âmbito do inquérito das fake news e da apuração sobre o Banco Master. Dois dias depois, com base nesses relatórios, Moraes apontou ao STF indícios de improbidade administrativa, abuso de autoridade e crime de responsabilidade na atuação de Mendonça como relator das operações Compliance Zero e Sem Desconto, ligadas ao caso do banqueiro Daniel Vorcaro. Fachin abriu a Pet 16.704, retirou o pedido de Moraes do inquérito das fake news, transferindo a acusação contra Mendonça para o processo do caso Banco Master, e deu cinco dias úteis para que Moraes, Mendonça, o procurador-geral Paulo Gonet e o diretor-geral da PF se manifestassem.
Argumentos
- Mendonça: relatórios de inteligência sem autoria identificada e com avaliações subjetivas de policiais não podem embasar acusação penal ou administrativa contra um ministro do STF.
- Moraes: os relatórios são documentos rotineiros da atividade de inteligência da PF, e a alegação de monitoramento ilegal é infundada, já que policiais confirmaram a participação de Mendonça na indicação de alvos das operações.
Fundamento
Na manifestação protocolada na noite de 21 de setembro, Mendonça sustenta que os relatórios usados por Moraes não identificam autoria, trazem avaliações subjetivas de policiais sobre as operações Compliance Zero e Sem Desconto e não podem ser tratados como prova em investigação criminal, por decorrerem de atividade de inteligência, e não de investigação. Chama a requisição desses relatórios de "arapongagem institucional" e pede o arquivamento sumário das acusações contra si, apuração sobre a origem dos relatórios, proibição de novos documentos semelhantes e acesso integral ao inquérito das fake news.
Consequência prática
Cabe a Fachin decidir se instaura apuração contra Moraes e qual o destino da apuração que hoje tramita contra Mendonça no processo do caso Banco Master. Em manifestação anterior, em sessão plenária, Moraes já havia classificado de "patética" a alegação de monitoramento ilegal, afirmando que os relatórios são documentos rotineiros e que policiais confirmaram a participação de Mendonça na indicação de alvos das operações.
Por que importa
É a primeira vez que dois ministros do STF trocam pedidos formais de apuração por crime, abuso de autoridade de um lado e denunciação caluniosa do outro, em processos que tramitam na própria Corte. O episódio testa os mecanismos internos de controle entre pares e reabre, num caso concreto, o debate sobre os limites entre inteligência policial e prova penal, tema central para quem atua com nulidades e cadeia de custódia da prova.
Próximos passos
- Fachin decide se instaura apuração contra Moraes e mantém, arquiva ou redireciona a apuração que envolve Mendonça no processo do caso Banco Master.
- Segue correndo o prazo de cinco dias úteis aberto a Paulo Gonet e ao diretor-geral da PF para se manifestarem sobre a origem dos relatórios de inteligência.