Pular para o conteúdo
Operações e investigações ★★★★★

Licença assinada por secretário morto três anos antes: a nova fase da lavagem dos postos no RJ

Na 6a fase da Operação Unha e Carne, PF aponta uso de licenças ambientais falsas na ANP por rede de postos suspeita de lavar R$ 7,6 bilhões.

G1 · publicado em 02/08 · 05h00 ·edição de 03/08
Licença assinada por secretário morto três anos antes: a nova fase da lavagem dos postos no RJReprodução G1 / Polícia Federal

Resumo

A Polícia Federal apura o uso de licenças ambientais falsas apresentadas à ANP para autorizar o funcionamento de postos de combustíveis em São Gonçalo (RJ), no âmbito da 6a fase da Operação Unha e Carne. O grupo investigado é suspeito de movimentar e lavar R$ 7,6 bilhões por meio de uma rede de postos.

Contexto

Os documentos apresentados à agência traziam a assinatura do ex-secretário municipal de Meio Ambiente José Rafael de Abreu Magalhães, morto em agosto de 2020, três anos antes da data de emissão das licenças. A fraude foi constatada nos postos VIP Catarina e Pitubinha, que têm como sócias mulheres de policiais civis. Quatro investigados foram alvo de mandados de busca e apreensão expedidos pelo STF. Um deles, Hugo Correia da Cruz, o Hugo Canelão, administrava empresas do grupo e é apontado como apadrinhado político do prefeito de Belford Roxo, Márcio Canella, também investigado, que chegou a ser preso e responde em liberdade.

Argumentos

  • PF: a falsidade documental sustentava a operação regular dos postos usados na lavagem, integrando o esquema.
  • Investigados: as defesas ainda não se manifestaram publicamente sobre esta fase.

Fundamento

A apuração combina falsidade documental (uso de licença com assinatura de agente público falecido), lavagem de dinheiro pela rede de postos e possível organização criminosa. A tramitação no STF decorre de investigado com foro na Corte.

Consequência prática

A fase amplia o acervo probatório sobre a cadeia de legalização aparente dos postos e aproxima a investigação de agentes políticos do estado do Rio.

Por que importa

Casos de lavagem no varejo de combustíveis são a nova fronteira da persecução patrimonial, com uso intensivo de RIFs do Coaf e medidas de busca autorizadas em foro por prerrogativa. A defesa nesses casos disputa, tipicamente, a validade do compartilhamento de dados financeiros e a individualização de condutas dentro de grupos empresariais.

Próximos passos

  • Análise do material apreendido e eventuais novas fases.
  • Possível oferecimento de denúncia contra os investigados sem foro na primeira instância.