CNJ e Enfam abrem curso sobre controle judicial de operações policiais, com foco em prova, cadeia de custódia e ADPF 635
A formação de 40 horas é dirigida a magistrados, membros do Ministério Público e defensores, e trata da superação da categoria dos autos de resistência e do dever de investigação independente.
Foto: Paula Carrubba/EnfamResumo
O Conselho Nacional de Justiça e a Escola Nacional de Formação e Aperfeiçoamento de Magistrados abriram inscrições, até 22 de setembro de 2026, para o curso Acompanhamento Jurisdicional de Operações Policiais, com 40 horas, formato híbrido e oficina presencial na Enfam em 23 de outubro. O público alcança magistrados e demais integrantes do sistema de Justiça, incluindo membros do Ministério Público e das Defensorias Públicas.
Contexto
A iniciativa integra o Programa Justiça Plural, parceria do CNJ com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, e foi construída com a Enfam. As vagas são limitadas.
Argumentos
- A ADPF 635 fixou parâmetros para operações policiais e para a apuração de mortes decorrentes de intervenção, e sua incorporação à formação judicial reforça a exigibilidade desses deveres.
- A crítica à categoria dos autos de resistência tem efeito processual concreto, porque muda o ponto de partida da investigação de morte praticada por agente do Estado.
- A cadeia de custódia, disciplinada nos artigos 158-A a 158-F do Código de Processo Penal, é o vetor técnico do curso e a via mais objetiva de impugnação da prova.
Fundamento
O conteúdo previsto inclui a superação da categoria dos autos de resistência, o dever de investigação independente de mortes e outras graves violações, a análise de decisões judiciais antes, durante e depois das operações, a cadeia de custódia e a avaliação crítica da atuação policial, além dos fundamentos constitucionais e convencionais aplicáveis, com atenção à jurisprudência interamericana e aos efeitos da ADPF 635 sobre a atuação judicial.
Consequência prática
Formação institucional sobre esses temas tende a padronizar o que os juízos exigem em autorizações e em controle posterior de operações, o que se reflete diretamente na prova produzida.
Por que importa
Cadeia de custódia e controle judicial de operações são hoje os dois pontos em que a defesa mais consegue atacar a prova em processos originados de ações policiais. Um programa oficial que trate ambos como padrão de atuação judicial cria referência citável em petição.
Próximos passos
- Inscrições abertas até 22 de setembro de 2026.
- Oficina presencial na Enfam em 23 de outubro de 2026.