Assistente de acusação no caso Matsunaga aponta diferenças entre o filme e o que consta do processo
Luiz Flávio Borges D’Urso relembra as perícias que afastaram as teses de legítima defesa e violenta emoção, e alerta para a glamourização de autores de crimes reais
Reprodução MigalhasResumo
Em entrevista ao Migalhas, o advogado Luiz Flávio Borges D’Urso, que atuou como assistente de acusação da família de Marcos Kitano Matsunaga, revisitou a investigação e o julgamento do caso, a propósito do filme Elize: Sombras de Uma Mulher, lançado pela Netflix em 22 de julho.
Contexto
O crime ocorreu em maio de 2012, em São Paulo. A apuração começou como suspeita de sequestro e mudou de rumo diante da ausência de pedido de resgate.
Argumentos
- Assistente de acusação: as perícias afastaram as versões apresentadas pela defesa e reforçaram a tese de premeditação.
- A ficção não coincide necessariamente com o que ficou registrado nos autos.
Fundamento
Segundo o advogado, imagens do condomínio mostraram a entrada da vítima sem registro posterior de saída, e dados do celular indicaram a passagem da acusada pelos locais onde os restos mortais foram encontrados. Confrontada, ela confessou. As teses de legítima defesa e violenta emoção foram afastadas pelo conjunto probatório, incluindo perícia balística.
Consequência prática
O advogado alerta para o risco de produções sobre crimes reais glamourizarem seus autores.
Por que importa
A conversa serve de material didático sobre prova pericial no Tribunal do Júri e sobre o efeito da narrativa audiovisual na percepção pública de casos julgados.
Fontes
- Principal Migalhas