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MPF denuncia 12 pessoas por organização criminosa transnacional que enviou 673 brasileiros aos Estados Unidos e movimentou mais de R$ 40 milhões
Operação Siblings imputa contrabando de migrantes, uso de documento falso e lavagem de dinheiro, com pedido de bloqueio de R$ 44,7 milhões
MPF
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denúncia divulgada em 26/08
Reprodução MPF
Resumo
A Unidade Nacional de Enfrentamento ao Tráfico Internacional de Pessoas e ao Contrabando de Migrantes do MPF apresentou à Justiça Federal de Minas Gerais denúncia contra 12 pessoas por organização criminosa transnacional, contrabando de migrantes, uso de documento falso e lavagem de dinheiro. Segundo a acusação, o grupo viabilizou o envio ilegal de pelo menos 673 brasileiros aos Estados Unidos entre 2017 e 2023.
Contexto
A rede era sediada na região de Governador Valadares, no Vale do Rio Doce, e liderada por dois irmãos que, conforme a denúncia, comandavam a estrutura desde a captação das vítimas até a chegada à fronteira norte-americana. Outros integrantes da mesma família operariam as contas destinadas a receber os pagamentos e a lavagem dos valores. A cobrança variava de R$ 50 mil a R$ 100 mil por pessoa, e os migrantes eram levados a entregar veículos, assinar notas promissórias, firmar confissões de dívida e outorgar procurações para alienação de imóveis.
Argumentos
- A acusação sustenta que a estrutura familiar cumpria funções distintas e complementares, o que caracterizaria organização criminosa e não concurso eventual de pessoas.
- A narrativa de condições degradantes em casas de apoio e de risco de violência nas rotas embasa as causas de aumento previstas no artigo 232-A.
- O uso de marketing enganoso, com depoimentos gravados dos próprios migrantes, é apresentado como meio de captação de novas vítimas.
Fundamento
O contrabando de migrantes está no artigo 232-A do Código Penal, com pena de dois a cinco anos e multa, majorada em caso de reiteração, risco à vida ou à integridade física, violência ou envolvimento de criança e adolescente. A denúncia narra adulteração de cartões de vacina e uso de documentos de proteção humanitária falsificados para contornar controles migratórios no México, além do método conhecido como cai-cai, em que adultos atravessam com crianças, filhos reais ou não, para reduzir o risco de deportação imediata. Dos migrantes identificados, 223 eram menores, 32,4% do total. Na etapa de lavagem, os valores circulavam em contas abertas com documentos falsos ou em nome de terceiros e depois eram integrados ao patrimônio dos líderes por meio de apartamentos, veículos de luxo e propriedades rurais.
Consequência prática
Além da condenação, o MPF pede o confisco dos bens e valores obtidos com a atividade ilícita, o bloqueio de R$ 44,7 milhões e indenização por danos morais coletivos.
Por que importa
O caso reúne, num só processo, os três eixos que definem a persecução patrimonial contemporânea: tipo penal migratório, lavagem e medidas assecuratórias de grande monta antes do trânsito em julgado. A defesa que atua nesse terreno enfrenta bloqueio de patrimônio em fase inicial, e é aí que a discussão sobre proporcionalidade das cautelares reais se coloca.
Próximos passos
- A Justiça Federal de Minas Gerais decidirá sobre o recebimento da denúncia.
- Recebida a denúncia, os denunciados se tornam réus e passam a responder pelos crimes imputados.