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Pesquisa do CNJ com o UNODC aponta queda de quase 60% nas novas ações penais por crimes contra a flora na Amazônia Legal entre 2020 e 2025
O índice de atendimento à demanda saltou de 39% para 196% no período, o que significa encerrar quase o dobro dos processos que entram, e o acervo recuou 6,2%
CNJ · Agência CNJ de Notícias
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publicado em 14/08/2026
Foto: Luiz Silveira/CNJ
Resumo
O volume de novas ações penais ambientais na Amazônia Legal caiu entre 2020 e 2025. Nos crimes contra a flora, os processos novos recuaram quase 60%, de 1.069 em 2020 para 445 em 2025. Os dados constam da pesquisa "Crimes contra a Flora na Amazônia Legal Brasileira", do Conselho Nacional de Justiça em parceria com o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime, apresentada em 14 de agosto durante a 4ª edição do evento Judiciário Sustentável.
Contexto
A análise abrange Acre, Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima, Tocantins e parte do Maranhão, e apontou padrões de concentração processual, territorial e temática.
Argumentos
- Processos novos por crimes contra a flora caíram de 1.069 em 2020 para 445 em 2025.
- O índice de atendimento à demanda alcançou 196% em 2025.
- O acervo de crimes contra a flora recuou 6,2% no período analisado.
- A pesquisa identificou concentração processual, territorial e temática, o que sugere que o esforço de persecução não se distribui de modo uniforme pela região.
Fundamento
Segundo a diretora executiva do Departamento de Pesquisas Judiciárias do CNJ, Gabriela Soares, o índice de atendimento à demanda passou de 39% em 2020 para 103% em 2022 e alcançou 196% em 2025. O índice compara processos encerrados com processos novos, de modo que o resultado significa encerrar cerca de duas vezes mais feitos do que os que ingressam. No período, o acervo de crimes contra a flora caiu 6,2%.
Consequência prática
Um sistema que julga mais do que recebe reduz estoque, e com ele reduz o tempo médio de tramitação. Em matéria penal ambiental, onde a prescrição costuma ser o desfecho silencioso de boa parte dos feitos, a redução do estoque tem efeito direto sobre quantos processos chegam a sentença.
Por que importa
Para quem atua na defesa em crimes ambientais, o dado muda a expectativa de tempo processual, que é variável estratégica: a tese de prescrição perde peso relativo na mesma medida em que o acervo encolhe. Convém, porém, ler o número pelo que ele mede, que é judicialização, e não incidência.
Próximos passos
- Consultar a íntegra da pesquisa para verificar a metodologia de contagem e o recorte por tipo penal.
- Acompanhar se o CNJ desdobra o levantamento para outros grupos de crimes ambientais além dos crimes contra a flora.